quarta-feira, 15 de julho de 2020

Tenho um imóvel quitado, posso financiar outro?

Você já tem um imóvel em seu nome e está a procura de financiamento para o segundo? Confira quais as melhores modalidades para realizar essa nova conquista.















O sonho da casa própria existe na cabeça de muita gente e quando já o alcançou, muitas vezes é natural pensar em outros meios de investir ou até em conquistar um segundo imóvel, seja para o lazer ou para algum projeto profissional.

Mas, será que é possível realizar um segundo financiamento? Qual o cenário ideal para não se afundar em dívidas e evitar encargos? E se eu já tiver quitado o imóvel anterior?

São muitas perguntas e nessa matéria vamos falar exatamente sobre a dúvida de quem já passou por esse processo: Tenho imóvel quitado, posso financiar outro?

A resposta é sim! Porém, existem algumas ressalvas importantes e é preciso que você entenda cada uma delas. Antes de mais nada, como citamos antes, é preciso ter um excelente planejamento antes de assumir a dívida de um financiamento.
















O primeiro passo é calcular com exatidão o valor dos seus rendimentos líquidos, o valor dos seus gastos mensais e a sobra desse montante, ou seja, quanto você poderá dispensar para o pagamento desse financiamento. Coloque nesse cálculo as contas obrigatórias, como luz e água, e deixe uma margem para possíveis aumentos, mas faça de tudo para diminuir o valor dessas contas.

Sobre as contas supérfluas: corte-as! Trate o financiamento como prioridade para evitar problemas e endividamentos futuros.

Lembre-se que, mesmo assinando um contrato, o imóvel só é de fato seu quando houver o pagamento da última parcela. Caso ocorra algum contratempo durante o financiamento e exista o atraso ou a tomada do imóvel pela financeira, o cliente pode perder tudo que já pagou até o momento.

Programa Minha Casa Minha Vida

Parece meio óbvio que possuindo um imóvel já quitado, qualquer indivíduo pode financiar um segundo imóvel. Porém não é bem assim. Um dos programas mais populares nos últimos anos, o Minha Casa Minha Vida, deu acesso ao sonho da casa própria para muita gente, mas ele possui algumas restrições.

Por exemplo, o programa é exclusivo para quem não possui nenhum imóvel registrado em seu próprio nome, além de servir apenas para moradia. Ou seja, caso você tenha um terreno, uma casa, uma loja, qualquer coisa registrada como sua propriedade, a sua participação no programa não será aprovada.

Veja outras restrições do programa:

  • Quem possui nome no Cadastro Nacional de Mutuários, o CadMut.
  • Quem possui renda acima de 10 salários mínimos.
  • Quem já foi contemplado por programas habitacionais, mesmo que não possua mais o imóvel ou que tenha ocorrido há muitos anos.

Nesses casos, mesmo que seu imóvel já esteja quitado, não será possível realizar um segundo financiamento.

Instituições Financeiras

Caso você não faça a opção de participar de um programa habitacional ou não possa participar, é possível procurar qualquer outra instituição financeira e fazer um financiamento.

Nesse caso, é possível até mesmo usar o primeiro imóvel, já que ele está quitado, como garantia desse novo financiamento. A financeira vai precisar avaliar o imóvel em seu nome para aprovar o financiamento.

Porém, ainda temos algumas restrições para esse caso que pedem um pouco mais de atenção. Caso você tenha a necessidade de usar seu FGTS nesse segundo financiamento, saiba que essa alternativa só poderá ser válida se o imóvel que você já possui não estiver localizado na mesma região do imóvel que você deseja adquirir. As regiões dos dois imóveis não podem nem mesmo fazer limite.














Financiamento de dois imóveis

E se o seu primeiro imóvel não estiver quitado ainda? É possível entrar em um segundo financiamento?

Na Caixa Econômica Federal isso é possível desde que o banco reabriu o financiamento simultâneo. Além disso, o banco permite que o cliente financie imóveis já usados e não apenas novos. Com isso, o mercado imobiliário fica mais aquecido e as oportunidades de financiamento são maiores do que considerando apenas imóveis novos.

Bom, agora que você já sabe como funciona um segundo financiamento e quais as regras que o impedem, surge a dúvida sobre o que fazer com o imóvel antigo. Se o seu imóvel antigo é para moradia e você investiu em um imóvel para fins comerciais, ótimo! Quer dizer que você se tornou dono do seu próprio negócio.

Porém, se o segundo imóvel também é residencial, você pode considerar alugar o imóvel antigo e aumentar a sua renda mensal ou até revender e investir o valor da venda em uma terceira propriedade ou em um negócio próprio.

Considerando o fato de que nem sempre a nossa primeira aquisição, quando se trata do sonho da casa própria, é realmente tudo que queríamos e até o fato de que as possibilidades financeiras eram outras, você pode se desfazer desse bem e adquirir a casa que de fato sempre sonhou.

Seja qual for sua opção, avalie bem as oportunidades e não se esqueça do planejamento financeiro. Se for se sentir mais seguro, procure auxílio de um profissional especializado no assunto.

Fonte: ImovelWeb

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Na contramão da pandemia!

Juros baixos e isolamento social turbinam mercado imobiliário em plena crise.

Venda de apartamentos novos cresceu 14% em BH, em abril, mas negociações de usados, com oferta maior, têm se sobressaído ainda mais.
Foto: Maurício Vieira 


Em tempos de pandemia, afetando saúde e economia, com queda brutal de empregos, renda e faturamento em diversas atividades, alguns setores parecem nadar contra a maré da retração.




É o caso do mercado de imóveis, cujos indicadores não param de melhorar, mesmo após a chegada ao país da Covid-19.
Pesquisa divulgada na semana passada pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), por exemplo, mostra que, em maio, os financiamentos para a compra e a construção de imóveis somaram R$ 7,13 bilhões no país, crescimento de 6,5% na comparação com abril e de 8,2% frente a maio de 2019.
Entre janeiro a maio deste ano, os empréstimos totalizaram R$ 34,08 bilhões, expansão de 23,2% em comparação com esses mesmos meses do último período. Já no acumulado de 12 meses (junho de 2019 a maio de 2020), o crédito alcançou R$ 85,13 bilhões, com alta de 30,5% em relação ao apurado nos 12 meses anteriores.
Na capital mineira e em Nova Lima, também há aumento expressivo nas negociações. Levantamento divulgado em junho pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG) apontou que, de janeiro a abril – portanto, já contabilizando os efeitos da pandemia da Covid-19, iniciada em março, as vendas de apartamentos cresceram 14,62%, em relação a igual período o ano passado. Na mesma base de comparação, os lançamentos apresentaram incremento superior a 100%.
O destaque, especificamente em abril, foi para a comercialização de imóveis novos de padrão standard (de R$215 mil até R$400mil), que subiu quase 20% em relação a março, e de padrão médio (de R$400 mil até R$700 mil), com alta de 5,412%.
Segundo o advogado Kenio Pereira, presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG e especialista de ampla atuação no setor, o aquecimento, mesmo em meio à grave crise sanitária e econômica, não é algo contraditório ou surpreendente, como possa parecer.
“A Selic, que já vinha caindo para favorecer a retomada econômica, despencou ainda mais por causa da pandemia, chegando a 2,25% ao ano e inviabilizando aplicações financeiras, sendo que muitas passaram a ter rentabilidade negativa. Investimentos de risco como a bolsa pouca gente se aventura a fazer. O caminho, portanto, são os imóveis”, diz ele.
De acordo com o advogado, além de serem ativos bem mais seguros para o investidor, casas e apartamentos novos ou usados têm sido mais comercializados também em razão de questões comportamentais.
“As pessoas têm mudado a forma de lidar com algumas questões na pandemia. Por exemplo, com o home office, fruto do isolamento social, muita gente começou a procurar residências com espaços que atendam a essa demanda”, disse, lembrando que imóveis com áreas descobertas, onde o morador pode tomar sol e respirar, também têm merecido maior procura.

Segurança financeira e efeitos da quarentena motivam negócios
A conjugação entre a taxa de juros básicos da economia mais baixa da série histórica brasileira (2,25%), o que torna nada atraentes as aplicações financeiras tradicionais, e os efeitos da pandemia da Covid-19, alterando comportamentos sociais, explica, em boa parte, o “boom” vivido pelo mercado imobiliário.
A advogada Maria Luísa Lacerda Barbosa foi uma das muitas pessoas a adquirir casas e apartamentos em Belo Horizonte, mesmo após o início da crise do coronavírus.
Em março, ela e o pai, de quem é sócia em operações no segmento de imóveis, fecharam negócio na cobertura de uma viúva, no bairro Buritis, região Oeste da cidade.
A motivação para isso em pleno período de retração econômica, além de engrossar a carteira de imóveis de ambos, foi escapar da baixa atratividade das demais alternativas de investimento. “Como está muito reduzido ou até negativo o rendimento da aplicação, temos direcionados os recursos à aquisição desses bens”, disse ela. “Cobertura nem é o melhor investimento para quem quer alugar o imóvel, mas o negócio foi uma oportunidade de proteger nosso capital”, acrescentou.
Já o empresário Pedro Henrique Boaventura, de 39 anos, que comprou um apartamento “top house” também no Buritis, na semana passada, aliou a preocupação em não perder dinheiro durante a crise ao desejo de adaptar-se melhor, junto com a família, aos impactos da Covid-19 sobre as relações sociais e de trabalho.
Para isso, pagou metade do valor do imóvel à vista e financiou o restante em 120 meses, em condições “bastante favoráveis” oferecidas pela Caixa. “Parece contraditório fazer algo assim, no momento que estamos vivendo, mas, tanto por questões econômicas quanto pessoais, fechei o negócio. E olha que o preço nem foi tão atrativo ou mais baixo que o normal”, contou.
“No caso, o imóvel representa uma segurança para meu dinheiro. Além disso, é espaçoso, fica perto do meu trabalho e conta com uma boa área de lazer para mim e para meus familiares, nesses tempos de quarentena e de distanciamento social”, concluiu.
Para aquecer ainda mais o setor, a Caixa, que responde por 70% do crédito imobiliário no país, lançou, na quinta-feira, um pacote de ações de incentivo – da implantação do registro eletrônico de escrituras ao financiamento de impostos e taxas na compra dos bens.
“São medidas objetivas para atender as demandas do segmento, que analisamos e vimos que temos capacidade para atender matematicamente, como sempre fazemos”, disse o presidente da instituição, Pedro Guimarães.

Por Evaldo Magalhães | Fonte: hojeemdia.com.br

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Quais são as novas medidas anunciadas pela Caixa para o crédito imobiliário?

Caixa anuncia pacote de medidas para o mercado imobiliário

A Caixa Econômica Federal anunciou durante live nesta quinta-feira (2) novas medidas para o mercado imobiliário nacional enfrentar os efeitos da crise causada pela pandemia da Covid-19. O pacote inclui a implementação do registro eletrônico de escrituras para contratos vinculados a empreendimentos financiados na instituição; financiamento de ITBI e custas cartorárias para pessoas físicas, e ampliação do acesso ao financiamento para produção de empreendimentos, com redução da quantidade mínima de vendas e da execução prévia de obras para contratação.
O anúncio foi feito pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e pelo vice-presidente de Habitação da instituição, Jair Mahl. “São medidas objetivas para atender as demandas do segmento imobiliário, que analisamos e vimos que temos capacidade para atender matematicamente, como sempre fazemos nesta gestão”, destaca o presidente da Caixa, Pedro Guimarães. “O lançamento desse pacote de medidas traz benefícios para as empresas e para o consumidor que deseja adquirir sua casa própria”, enfatiza.
Na avaliação do presidente da CBIC, José Carlos Martins, que participou da live, os impactos positivos das medidas anunciadas pela Caixa vão muito além do setor da construção civil. “O trabalho que a Caixa está fazendo é pela sociedade brasileira. É por essa conciliação que nós temos que ter do social com o econômico. Esse é o ponto básico para a gente conseguir tirar o Brasil dessa situação”, disse.
O presidente da Comissão de Habitação de Interesse Social (CHIS) da CBIC, Carlos Henrique Passos, também registou os benefícios das medidas. “Para as pequenas e medidas empresas construtoras, a redução é positiva, tanto em relação ao percentual de comercialização quanto à medição de obras, porque antecipa o início das obras e mantém o emprego”.

Novas medidas da Caixa para Pessoa Física


  • Custas Cartorárias e Despesas de ITBI

Os clientes que pretendem comprar o seu imóvel com crédito na Caixa podem agora contar com o financiamento das custas cartorárias e despesas de ITBI, para todas as operações residenciais com recursos do FGTS e, nas operações com recursos SBPE, para imóveis com valor de avaliação de até R$ 1,5 milhão.
O limite das custas financiáveis é de 5% sobre o valor financiado pelo cliente para operações contratadas com recursos SBPE e, com recursos do FGTS, o limite é de 4%. O valor total do contrato do cliente (valor relativo à compra do imóvel + financiamento das custas cartorárias e ITBI) deve estar dentro dos limites aprovados, observando-se sua capacidade de pagamento e o valor máximo permitido para o programa em que ele se enquadra.
Atualmente, essas despesas representam em torno de 2% a 5% do valor do imóvel e são pagas pelo próprio cliente nos trâmites de registro do contrato de financiamento habitacional. O percentual varia de acordo com os valores praticados nas diversas regiões do país.
“A novidade alivia a despesa inicial das famílias no momento da contratação da casa própria. Estimamos algo em torno de R$ 2,5 bilhões de alívio paras as famílias, e manutenção desse dinheiro na economia, que pode ser usado para a compra de móveis ou reforma do imóvel”, ressalta Mahl.


  • Registro eletrônico de escrituras

A partir de segunda-feira (13), o registro eletrônico de escrituras para contratos pessoa física de empreendimentos financiados na Caixa será realizado de forma eletrônica com troca de arquivos de dados estruturados entre o banco e o respectivo Cartório de Registro de Imóveis. O processo se dará por meio da Plataforma Centralizada do Colégio do Registro de Imóveis, habilitada inicialmente para a participação das demais Centrais de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Estados e do Distrito Federal, que funcionarão de forma padronizada.
A medida permitirá acelerar o registro das operações, que antes levava em torno de 45 dias e agora poderá ser finalizado, em média, em 5 dias. Além de dispensar a necessidade de recebimento do contrato físico pelo cartório, o registro eletrônico traz benefícios para as construtoras e clientes que não precisam realizar o deslocamento. A adesão ao novo registro será possível a partir do próximo dia 13 de julho.

Novas Medidas da Caixa para Pessoa Jurídica

O pacote traz como medida para as empresas a flexibilização da comercialização mínima de 30% para 15% para novos empreendimentos, fomentando o mercado imobiliário para lançamento de novos empreendimentos.
As outras medidas para PJ são a possibilidade de contratação da produção de empreendimentos sem exigência de execução prévia de obras e de destinação dos recursos provenientes das vendas das unidades habitacionais para pagamento dos encargos mensais.
A expectativa da Caixa é contratar 1.280 novos empreendimentos, o que representa 156 mil novas moradias e 485 mil empregos diretos e indiretos.

Ações da Caixa para Pessoa Física em 2020

A Caixa divulgou diversas medidas para pessoa física neste ano. Entre as principais estão a pausa de 120 dias no financiamento habitacional para clientes adimplentes ou com até duas parcelas em atraso, o prazo de carência de 180 dias para contratos de financiamento de imóveis novos e a renegociação de contratos com clientes em atraso entre 61 e 180 dias, permitindo pausa ou pagamento parcial das prestações.

Caixa no Crédito Imobiliário


A carteira de crédito ampla da Caixa possui 5,46 milhões em contratos que somam R$ 478,4 bilhões. No primeiro semestre de 2020 as contratações alcançaram a marca de R$ 48,2 bilhões, o que representa um crescimento de 21,73% em relação ao mesmo período do ano passado. No mês de junho, a Caixa atingiu o volume de R$ 11,1 bilhões em financiamentos habitacionais, mantendo a liderança no mercado imobiliário.

Balanço da pausa no crédito imobiliário
Até o momento, mais de 2,4 milhões de mutuários já solicitaram a pausa na prestação habitacional. Durante o período de pausa o contrato não está isento da incidência de juros, seguros e taxas. Os valores dos encargos pausados são acrescidos ao saldo devedor do contrato.

Fonte: CBICS AGENCY

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Isolamento social criou novas tendências e oportunidades para o mercado imobiliário, afirma especialista

Consultor especialista imobiliário Rafael Scodelario
Foto: Reprodução

As consequências econômicas associadas à pandemia do novo coronavírus são uma triste realidade no Brasil e em todo o mundo. O isolamento social, até aqui visto como uma medida necessária de combate ao espalhamento rápido da doença, ainda não tem previsão de ser totalmente encerrado, e pouco se sabe como a economia irá se portar no pós-covid-19, trazendo reflexos em todos os setores, inclusive no mercado imobiliário.
O consultor e especialista do mercado imobiliário Rafael Scodelario aponta que, na verdade, o que acontece hoje com a covid-19 é algo que tem se repetido ao longo da história e que pode voltar a acontecer no futuro: "ainda que não seja uma pandemia como a que vivemos hoje, sempre existiram e sempre irão existir imprevistos que irão abalar as nossas estruturas de algum modo. Embora cada uma dessas intempéries trouxe consigo efeitos adversos no emprego e da renda, também trouxe oportunidades para empresas se reinventarem, modificarem produtos, criarem e aderirem a novas tecnologias e disputar novas fatias de mercado. O passado recente brasileiro é rico em exemplos deste tipo de oportunidade e nos mostra como o bom aproveitamento destas pode muitas vezes reverter os efeitos negativos para algumas empresas e consumidores, ou pelo menos fazer com que nos tornemos mais eficientes quando o ciclo de baixa se encerra." 

Mercado imobiliário: oportunidades e aprendizados 
Scodelario aponta que no Brasil nos últimos 5 anos, o mercado imobiliário passou por uma das piores crises do setor e as consequências foram sentidas de maneira ampla pelos seus diversos segmentos: "a demanda apresentou baixo crescimento no período, o que fez com que as transações ocorressem em ritmo relativamente lento, e os preços de maneira geral ficassem estagnados, em termos nominais. Porém, mais uma vez, as oportunidades surgiram e aqueles que as aproveitaram se deram bem, em plena crise." 
O especialista aponta que no mundo todo, jovens vinham ganhando importância enquanto consumidores de imóveis, com preferências bastante distintas das gerações anteriores: "a procura por aluguel ganhou força frente ao tradicional sonho da casa própria, cresceu a demanda por imóveis mais bem localizados (em geral nas regiões mais centrais das grandes capitais, onde está o emprego) e mais compactos. A tecnologia ajudou também, trazendo novas modalidades de transporte que modificaram o perfil dos imóveis desejados pelos consumidores, pela redução dos custos de deslocamento entre trabalho e moradia. Inovações nos métodos de financiamento e funding do crédito imobiliário também ocorreram em boa quantidade do Brasil. E agora com a covid-19 essas preferências e necessidades vão se alterar novamente." 
Quais são as oportunidades agora?
Hoje, apesar de todos os pontos negativos advindos não apenas na economia mas da emergência sanitária e humanitária causadas pelo novo coronavírus, as oportunidades ligadas à pandemia e ao isolamento social já estão surgindo: " Com o distanciamento social, enquanto muitas pessoas ainda estiverem trabalhando de suas casas, consequentemente também deve haver queda de preços e transações. Ainda neste nicho, devemos observar primeiramente a queda nos preços de aluguel, seguidas pela depreciação dos preços de compra e venda, já que a aluguéis mais baratos, os imóveis comerciais também se tornam menos atrativos enquanto investimentos. Já para o segmento residencial, que também sofrerá impactos negativos, a queda no volume de transações e preços deve ser menos acentuada, porque a necessidade básica de moradia sustenta mais firmemente a demanda residencial, em especial no mercado de locação. Neste aspecto, pode surgir um primeiro tipo de oportunidade: para fins de investimento (compra de um imóvel para fins de rendimentos do aluguel), imóveis residenciais devem se tornar relativamente mais atrativos do que os comerciais durante o período de crise, caso a expectativa de menor queda dos preços de aluguel residencial se confirmem. Se na crise atual os preços no mercado de aluguel residencial se mostrarem de fato mais resilientes do que os preços de outros ativos (imobiliários e financeiros), certamente haverá espaço para mais investimentos nestes novos fundos e tipos de imóveis, a retornos relativamente mais altos do que em investimentos alternativos."
Oportunidades pós covid-19
As oportunidades não serão limitadas apenas a preços, oferta e demanda. Há uma espécie de consenso entre especialistas que o distanciamento social deve mudar as relações de consumo da sociedade, não apenas causando uma diminuição relativa no volume de transações presenciais durante a crise, mas também permanentemente, devido aos traumas que o quadro atual de contaminação deve deixar.
Deste modo também, a maneira como imóveis serão transacionados dificilmente será igual a como era feito antes da pandemia: "E já existem tecnologias a serem aproveitadas como aplicativos e ferramentas de avaliação online, visita virtual, showrooms, registros imobiliários virtuais, dentre outras. Observar tais tecnologias mais disseminadas e funcionando no mundo desenvolvido também traz uma perspectiva otimista para o mercado imobiliário brasileiro. Esgotar cada uma das possibilidades que a crise vai trazer, neste momento, é praticamente impossível. Muitas delas ainda devem surgir durante o decorrer da pandemia e seus reflexos. Outras não são tão fáceis de se enxergar agora. Por isso é preciso estar atento, informado, ter coragem e visão clara para não as desperdiçar. E algum otimismo, em meio ao caos", conclui o especialista.
Fonte: MF Press Global

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Banco Central corta Selic em 0,75 p.p., para 2,25%, e mantém porta aberta para “ajuste residual”

Decisão seguiu o que esperava a maioria dos analistas consultados pela Bloomberg


O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, no dia 17 de junho, cortar a Selic em mais 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano, renovando a menor taxa básica de juros da história.

Esta foi a oitava redução seguida na taxa básica de juros e era amplamente esperada pelos analistas. 34 dos 35 especialistas consultados pela Bloomberg projetaram um corte desta magnitude.

A questão passou a ser os próximos encontros. Com um cenário ainda incerto por conta da pandemia e os dados da economia doméstica mostrando que o país segue em dificuldades, apesar da melhora do ambiente externo, os analistas se mostravam divididos antes da reunião sobre para onde vão os juros.

Apesar de na última reunião o Banco Central ter afirmado que faria apenas mais este corte, que seria no máximo de 0,75 p.p. diante do atual cenário, ainda há muita expectativa de que a Selic possa terminar 2020 em níveis ainda mais baixos.

No comunicado de hoje, a autoridade monetária destaca que vê o atual nível de estímulo como compatível com o cenário de crise, mas não fechou totalmente a porta para eventuais novos cortes de juros.

“O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno”, diz o comunicado do Copom.

“Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”, continua o texto.

De acordo com o texto, diante do cenário básico e do balanço de riscos, a definição dos próximos passos do BC ocorrerá diante de novas informações sobre a evolução da pandemia, além de uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal.

Confira o comunicado na íntegra:

Em sua 231ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 2,25% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No cenário externo, a pandemia da Covid-19 continua provocando uma desaceleração pronunciada do crescimento global. Nesse contexto, apesar da provisão significativa de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador;
  • Em relação à atividade econômica, a divulgação do PIB do primeiro trimestre confirmou a sua maior queda desde 2015, refletindo os efeitos iniciais da pandemia. Indicadores recentes sugerem que a contração da atividade econômica no segundo trimestre será ainda maior. Prospectivamente, a incerteza permanece acima da usual sobre o ritmo de recuperação da economia ao longo do segundo semestre deste ano;
  • O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária;
  • As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 1,6%, 3,0% e 3,5%, respectivamente;
  • No cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,95/US$*, as projeções do Copom situam-se em torno de 2,0% para 2020 e 3,2% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 2,25% a.a. e se eleva até 3,00% a.a. em 2021; e
  • No cenário com taxa de juros constante a 3,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,95/US$*, as projeções situam-se em torno de 1,9% para 2020 e 3,0% para 2021.
  • O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado. Esse risco se intensifica caso a pandemia se prolongue e provoque aumentos de incerteza e de poupança precaucional e, consequentemente, uma redução da demanda agregada com magnitude ou duração ainda maiores do que as estimadas.

Por outro lado, políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. Adicionalmente, os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada, adicionando uma assimetria ao balanço de riscos. Esse conjunto de fatores implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 2,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021.

O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno. O Comitê avalia que a trajetória fiscal ao longo do próximo ano, assim como a percepção sobre sua sustentabilidade, são decisivas para determinar o prolongamento do estímulo.

Neste momento, o Comitê considera que a magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia da Covid-19. Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual. No entanto, o Copom segue atento a revisões do cenário econômico e de expectativas de inflação para o horizonte relevante de política monetária. O Comitê reconhece que, em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Por: Rodrigo Tolotti | Fonte: InfoMoney

sábado, 20 de junho de 2020

Mercado imobiliário: Granja Viana é a queridinha da vez!




Isolamento social em razão da pandemia criou novas oportunidades para o mercado imobiliário da região. Clima bucólico e charmoso, ar puro e muita área verde trouxeram para cá os que estavam em busca de melhor qualidade de vida. Conversamos com especialistas sobre as tendências do setor, que vão das adequações ao novo cenário e incentivos fiscais à mudança do novo perfil do consumidor e sua relação com o imóvel.
Por: Redação

Conforme já sinalizamos em novembro, o mercado imobiliário estava voltando a crescer e as expectativas para 2020 eram as melhores. Especialistas reforçavam alta de 3%, destacando o setor como um dos motores da economia para este ano. No entanto, ainda no primeiro trimestre, essa confiança deu lugar a cautela, quando a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia. “Mas depois de uma retraída, as pessoas começaram a enxergar oportunidades”, lembra Felipe Diego Araújo dos Santos, gestor da Four Hunters Consultoria Imobiliária.
O mercado imobiliário foi impactado pela pandemia, sim! Mas positivamente. Entre as mudanças mais significativas, houve um processo reverso ao que vinha sendo observado no passado pelo setor. “Antes da pandemia, a maioria buscava praticidade, funcionalidade e baixo custo de manutenção, o que significava imóveis residenciais mais compactos. Com mais tempo em casa e menos no local de trabalho e o chamado home office, a casa tem que virar um lar, não apenas dormitório, com necessidades específicas, mais confortáveis e melhor equipados”, conta Luiza Fernandes, diretora comercial da Granja Negócios Imobiliários.

Se antes a tendência era a diminuição de espaços e de vivência em espaços compartilhados, a pandemia trouxe o oposto: espaços maiores e mais confortáveis. Com isso, aqueles que almejavam um estilo de vida mais calmo em uma casa mais espaçosa e que já tinham planos de se mudar no futuro, encaixotaram suas coisas e fizeram as malas. De acordo com dados do portal Imovelweb, a busca por imóveis fora das capitais subiu 52% entre fevereiro e março neste ano. Quando comparados os meses de março de 2020 e março de 2019, a busca aumentou 124%.



Amanhecer no Terras de São Fernando,em clique do leitor Adriano Pina
E a nossa região se tornou a queridinha da vez: clima bucólico e charmoso, ar puro e muita área verde trouxeram para cá os que estavam em busca de melhor qualidade de vida. “A hora é agora. Quem tinha planos de sair de São Paulo um dia e morar em lugar como a Granja Viana, começou a colocar em prática esse sonho. É a tendência de querer viver melhor. Imagina para quem está preso em um apartamento de milhões… Ele poderia estar aqui, morando muito melhor, do que em um bairro empilhado”, explica Gastão Paollillo, gestor da Rede mPm. Seguindo este raciocínio, a procura por imóveis aqui cresceu em torno de 70%, superando a expectativa para o ano inclusive. “São pessoas, sobretudo, vindo das zonas oeste e sul de São Paulo. Somos o refúgio verde deles”, completa. Gastão define esses novos granjeiros como “urbanoides que querem mais natureza do que ostentação e curtem coisas mais roots, como as ruas de terra daqui ou os bois cruzando a Avenida São Camilo”.





Ilustres vizinhos fotografados por Daniele Piovesan
Também é um período de redescoberta do bairro. “Tem aqueles que já conheciam a Granja, moraram no passado e estão buscando retorno para cá. Outros que tem amigos aqui e que, por conta disso, acabaram se apaixonando pela região, pensavam em no futuro se mudar e anteciparam este projeto. O perfil é variado, mas todos estão impulsionados por mais espaço e qualidade de vida”, comenta Gilson Tangerino, sócio-diretor da One Consultoria Imobiliária.
“As pessoas estão reconhecendo mesmo o que é qualidade de vida: morar em casa com quintal, piscina, jardim. Com certeza, estão menos estressadas do que quem está preso nos apartamentos em São Paulo”, justifica Helio Alterman, diretor da Proinvest. Ele aposta que esta não é uma tendência temporária: mesmo após a pandemia, o mercado volta a crescer ainda mais. Felipe concorda: “há várias oportunidades de mercado, principalmente para a Granja, nos próximos 24 meses”. “Esse movimento de gente querendo vir para cá vai se manter por um bom tempo”, também crê Gastão.
Anoitecer no condomínio Granja Velha



Bem-estar familiar


A relação com a casa também mudou. “As pessoas estão enxergando os imóveis mais como qualidade de vida do que negócio. Elas investem em outra moeda: a da satisfação pessoal, cuja mensuração é diferente do dinheiro. Se não fosse assim, por que as pessoas sairiam de um metro quadrado mais valorizado para outro menos valorizado? Não é para sobrar dinheiro, mas ter a famosa qualidade de vida. Com essa pandemia, percebemos o quão frágeis somos”, descreve Ricardo Silva, proprietário da Portal Raposo Imóveis. “O novo consumidor busca um conforto maior em seu lar para obter resultados satisfatórios em home office e harmonia total entre sua família. Sendo assim, a busca de imóveis com quartos reversíveis, escritórios, sala com dois ambientes e integração com área gourmet tem crescido muito”, comenta Maurício Azer, gerente comercial da RE/MAX CasaInveste.
O home office mais lindo do mundo❤️Ahhh… será que vou querer 
voltar pro escritório? 🤔”, postou a jornalista Fran Oliveira nas redes 
sociais. Além da qualidade de vida, o multicentrismo

A Granja Viana não é a mesma de outrora. 
Grandes centros comerciais e industriais chegaram junto com o progresso. Como contraponto, temos uma rodovia cujo trânsito já é conhecido pela maioria. Mas com as novas configurações de trabalho e moradia, isto não é mais visto como entrave. “O consumidor é conhecedor das deficiências de mobilidade da Raposo Tavares, porém também reconhece na nossa região, o que os urbanistas chamam de multicentrismo, ou seja, uma região que oferece tudo o que São Paulo oferece. E, principalmente, esse novo consumidor sabe que as relações de trabalho mudaram para sempre e reuniões digitais, trabalho em horários diferenciados e outras novas relações vieram para ficar”, comenta Caio Portugal, diretor da GP Desenvolvimento Urbano, que teve os melhores meses de vendas em maio e junho dos últimos anos.


O novo consumidor
Objetivo, assim é o novo consumidor. Com quatro décadas de experiência na área, Marco Antônio Garbuglio – sócio-diretor da G3i Imobiliária – disse que o cliente de agora “já sabe o que quer e não perde muito tempo”. Trocando em miúdos, há pouca ou quase nenhuma especulação, mas muita objetividade. “A dificuldade em ficar confinadas em suas casas fez com que as pessoas percebessem que elas precisam de uma casa maior e pronto, não ficam questionando valores”, completa.
Claro que o preço ainda conta. “Os imóveis na Granja Viana são baratos, muito mais do que em São Paulo. Por exemplo, um apartamento de 100m² na Pompeia vale o mesmo que uma casa sensacional aqui. É uma oportunidade. Mesmo com menos dinheiro, o consumidor pode até elevar o padrão de vida dele, morando em um espaço legal aqui do que em São Paulo”, explica Gastão.
William Venturi, sócio-proprietário da Imobiliária Terra, complementa dizendo que, ademais, investir no mercado imobiliário se mostra seguro. “Embora a pandemia tenha contribuído para um cenário de incertezas na economia, investir em um imóvel é um porto seguro, por assim dizer. Permite preservar o capital em momentos de crise e o aumento de patrimônio em momentos de crescimento econômico. Logo, a compra seja ela para locação quanto para moradia, que é exatamente o que estamos vendo no momento, são alternativas válidas, que representam uma forma segura de aplicar o dinheiro”, esclarece.


Natureza adorável e bela da região, 
segundo o morador
Arivonaldo Bezerra da Silva


Bola da vez: compra, venda ou locação?

A maioria dos entrevistados respondeu: locação. Muitas imobiliárias viram, durante este período, seu estoque de locação praticamente zerar. “Aluguel sempre foi a coisa mais aquecida no mercado da Granja, porque muitos vêm com receio e querem sentir o local”, explica Gastão. Ele foi um deles: há mais de uma década, ele chegou na Granja. Mas optou, primeiro, pelo aluguel, antes da compra definitiva. Foi, como ele mesmo define, um test-drive.
Angelo Maglio, proprietário da Rancholar Imóveis, corrobora sua fala: “devido ao urgente-urgentíssimo causados pela pandemia, os que estão com os pés no chão, optam em sua maioria pela locação afim de verificarem se se acostumam no local escolhido”. E Lucio Ventura, da Ventura Negócios Imobiliários, completa: “as pessoas estão percebendo que um investimento muito alto em um imóvel não é certeza de estabilidade, em um futuro tão incerto”.
Na Mix Prime Imóveis, a demanda se dividiu em compra de terreno “para construção”, de acordo com o sócio-proprietário Luís Felipe Carvajal, e em locação. Esta última modalidade, por exemplo, cresceu 200%. “Pessoas de São Paulo passaram a vir para cá pela qualidade de vida, mas sobretudo, pelo preço. Um apartamento em Pinheiros de 120m² custa uns R$ 7 mil de aluguel, enquanto aqui é o valor de uma casa com piscina, quintal para criança brincar e espaço para fazer horta”, explica. Ele menciona também a procura por villagios, tão comuns em nossa região e que são mais espaçosos, aconchegantes e mais baratos que um apartamento.
Já na Casa Noble Negócios Imobiliários, o cenário foi inverso. “De janeiro a março, 47% dos contatos que recebemos procuravam por compra e 53% procuravam por locação. Nos últimos dois meses, esse cenário inverteu: 58% dos nossos contatos são com intenção de compra e 42% com intenção de locação”, numera Camila Bezerra, diretora de marketing. “Com a possibilidade de home office virar um modelo de trabalho permanente para muitas empresas, temos recebido muitos clientes que moram na agitação de São Paulo e que, com essa possibilidade de trabalhar de casa, procuram por uma casa maior em uma região mais tranquila como a nossa, em busca de melhor qualidade de vida”, opina.
Incentivos fiscais
“As taxas de financiamento nunca estiveram tão baixas. Nunca foi tão fácil financiar”, pontua Hélio Alterman. Sim, o especialista tem razão: em agosto de 2019, a Caixa Econômica Federal anunciou a criação de linha de financiamento imobiliário com saldo corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Seis meses depois, lançou uma linha de crédito de financiamento imobiliário com juros prefixados, que variam entre 8% e 9,75% ao ano. Nessa modalidade, não há correção nem da taxa referencial ou IPCA (inflação) e pode ser usado em até 80% do financiamento do imóvel.
“Quem tomar o empréstimo poderá escolher entre sistemas de amortização SAC, para contratos de até 360 meses, e PRICE, até 240 meses”, explica. “Outro fator é a taxa Selic em 3% ao ano, podendo cair para 2,5%, nova mínima histórica”, completa sua colega de profissão, Luiza Fernandes.
E no meio da pandemia, a Caixa ainda anunciou uma injeção adicional de R$ 43 bilhões para o setor imobiliário. Desta vez, o dinheiro será usado em linhas que visam a irrigar o caixa de construtoras, evitando paralisações de obras e demissões. Outra meta é facilitar a vida do cliente que está prestes a comprar um novo imóvel, com a oferta de carência de até 180 dias para início do pagamento.
Reserva do Morro Grande (Foto: Secom/Cotia)

Oportunidades pós-pandemia

As oportunidades não serão limitadas apenas a preços, oferta e demanda. Há consenso entre especialistas que haverá mudanças nas relações de consumo e a maneira como os imóveis serão transacionados também. Aliás, já há. Aplicativos e ferramentas de avaliação online, visita virtual, showrooms e registros imobiliários virtuais já existem e, agora, seu uso vem sendo ainda mais ampliado.
“Temos um contrato digital, onde a pessoa não precisa estar na imobiliária para assinar. O corretor faz todas as vistorias e as partes recebem onde elas estiverem o relatório, tanto fotográfico quanto escrito. Para pagamentos, já temos o boleto bancário”, explica Daniela Brito, diretora da Imobiliária Porta Nova. Ou seja, contratos fechados de modo virtual já são realidade.
Quem ainda não se adequou, precisa se adaptar à nova realidade. Na Granja Negócios Imobiliários, por exemplo, o tour virtual foi uma ferramenta bastante usada pela equipe neste momento de isolamento social, em que as visitas presenciais se tornam cada vez mais raras. “É fundamental estar conectado aos possíveis clientes, usar a tecnologia e redes sociais para mostrar as novidades, os diferenciais de cada imóvel, as tendências do mercado e oferecer prestação de serviço. Outra facilidade que pode manter os negócios em movimento envolve as soluções digitais. Anúncios de qualidade, fotos, sistemas digitalizados dentro das imobiliárias e acessíveis na palma da mão dos corretores dão agilidade aos trabalhos e facilitam a vida dos clientes”, explica Luiza Fernandes.
Por: Juliana Martins Machado | Fonte: Revista Circuito   

terça-feira, 16 de junho de 2020

Transacionar imóveis de forma 100% remota:


Um (bom) caminho sem volta.
A era pós-COVID19 já provocou um marco positivo na história da inovação imobiliária no Brasil: a opção de se comprar e vender sem sair de casa.

Imagem: Reprodução Google














Todos nós empreendedores buscamos informações para compreender e, se possível antecipar, como será o “novo normal”. Precisamos ter algum cheiro do mundo vindouro para planejar nossos negócios e tomar decisões. Queremos saber como será a vida pós-Covid. No mercado imobiliário, e vou falar dele porque é minha especialidade, não é diferente. Os agentes hoje tateiam suas bolas de cristal para descobrir os efeitos que a pandemia vai gerar sobre a compra e venda de imóveis no Brasil e no mundo, no “day after”. Neste mar de dúvidas, uma certeza já pode ser apontada: a opção até então frustrada de se fazer negócios imobiliários remotamente, por meios digitais, já é uma realidade no Brasil, pelos menos no Estado de São Paulo e Rio de Janeiro.
A Corregedoria Geral de Justiça de São Paulo autorizou no mês passado a realização de escrituras digitais no Estado, o que permitiu a Loft a realizar, no mesmo dia, a primeira compra 100% digital de um imóvel no país.
Tratou-se de um apartamento vendido por duas pessoas que acabavam de se divorciar. Todos - compradores, vendedores, corretores e escrevente - puderam assinar a escritura no conforto e segurança dos seus lares ou escritórios, atrás dos seus computadores, atendendo à necessidade de isolamento social. Novos tempos.
Logo depois, neste corrente mês de maio, com a aprovação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também efetuamos a primeira escritura digital do Rio de Janeiro. Com isso, todas as nossas compras e vendas podem ser realizadas de forma 100% virtual.
Anteriormente, as partes interessadas tinham de alinhar as agendas e se deslocar até em um local de comum acordo e dentro das regras legais para oficializar a transação. Agora, o ato pode ser realizado por meio de uma videoconferência com certificado digital. Um verdadeiro salto! O que normalmente talvez levasse anos, neste atual contexto de exceção levou um par de meses para se resolver, a partir da instalação da quarentena no país.
A escritura digital é a última peça que faltava nesta engrenagem digital. Vou compartilhar com vocês as demais que permitem uma jornada de compra e venda integralmente remota.
Jornada digital completa - Há um caminho a se percorrer até a assinatura (digital ou não) de um imóvel. Há três principais ferramentas que ajudam muito nesta empreitada. Duas delas são as visitas virtuais e as plantas 3D, recursos que permitem aos clientes fazerem uma avaliação concreta dos imóveis mesmo sem sair de casa. Foi por meio delas que um cliente da Loft, residente em Nassau, avaliou e decidiu comprar um apartamento no bairro do Jardim América, na capital paulista, há poucas semanas.
A terceira ferramenta, na verdade, é um procedimento jurídico que precede a escritura: a assinatura digital do CCV (Compromisso de Compra e Venda), que já era disponibilizado pela Loft mesmo antes da Covid. Com estes três trunfos tecnológicos mais a assinatura digital, hoje é possível comprar e vender imóveis no Brasil, mesmo estando fora do país, de forma remota.
Não há dúvida de que a pandemia está trazendo perdas à nossa sociedade, sobretudo no que há de mais importante: vidas humanas. Respeitar as boas práticas de isolamento social ainda segue sendo a única solução apontada por instituições como a OMS para lidarmos de melhor forma com esta nova realidade, e evitarmos perdas ainda maiores.
Cabem a nós, empreendedores, identificarmos oportunidades de inovar e contribuir para que o legado das pandemias também seja composto de transformações positivas, que ofereçam soluções capazes de realizar sonhos de forma segura.
Estamos certos de que os lares das pessoas ganharão valor depois deste grande marco histórico. Passaremos mais tempo dentro de nossas casas, trabalhando e vivendo por meio de relacionamentos cada vez mais digitais. Sairão fortalecidas desta época tão marcante as empresas que entenderem que a digitalização, tanto quanto o reforço nas medidas sanitárias, vieram para ficar.

Por: Mate Pencz | Fonte: Valor Investe