![]() |
| Consultor especialista imobiliário Rafael Scodelario Foto: Reprodução |
As consequências econômicas associadas à pandemia
do novo coronavírus são uma triste realidade no Brasil e em todo o mundo. O
isolamento social, até aqui visto como uma medida necessária de combate ao
espalhamento rápido da doença, ainda não tem previsão de ser totalmente
encerrado, e pouco se sabe como a economia irá se portar no pós-covid-19,
trazendo reflexos em todos os setores, inclusive no mercado imobiliário.
O consultor e especialista do mercado imobiliário Rafael
Scodelario aponta que, na verdade, o que acontece hoje com a covid-19
é algo que tem se repetido ao longo da história e que pode voltar a acontecer
no futuro: "ainda que não seja uma pandemia como a que vivemos hoje,
sempre existiram e sempre irão existir imprevistos que irão abalar as nossas
estruturas de algum modo. Embora cada uma dessas intempéries trouxe consigo efeitos
adversos no emprego e da renda, também trouxe oportunidades para empresas se
reinventarem, modificarem produtos, criarem e aderirem a novas tecnologias e
disputar novas fatias de mercado. O passado recente brasileiro é rico em
exemplos deste tipo de oportunidade e nos mostra como o bom aproveitamento
destas pode muitas vezes reverter os efeitos negativos para algumas empresas e
consumidores, ou pelo menos fazer com que nos tornemos mais eficientes quando o
ciclo de baixa se encerra."
Mercado
imobiliário: oportunidades e aprendizados
Scodelario
aponta que no Brasil nos últimos 5 anos, o mercado imobiliário passou por uma
das piores crises do setor e as consequências foram sentidas de maneira
ampla pelos seus diversos segmentos: "a demanda apresentou baixo
crescimento no período, o que fez com que as transações ocorressem em ritmo
relativamente lento, e os preços de maneira geral ficassem estagnados, em
termos nominais. Porém, mais uma vez, as oportunidades surgiram e aqueles que
as aproveitaram se deram bem, em plena crise."
O
especialista aponta que no mundo todo, jovens vinham ganhando importância
enquanto consumidores de imóveis, com preferências bastante distintas das
gerações anteriores: "a procura por aluguel ganhou força frente ao
tradicional sonho da casa própria, cresceu a demanda por imóveis mais bem
localizados (em geral nas regiões mais centrais das grandes capitais, onde está
o emprego) e mais compactos. A tecnologia ajudou também, trazendo novas
modalidades de transporte que modificaram o perfil dos imóveis desejados pelos
consumidores, pela redução dos custos de deslocamento entre trabalho e moradia.
Inovações nos métodos de financiamento e funding do crédito
imobiliário também ocorreram em boa quantidade do Brasil. E agora com a covid-19
essas preferências e necessidades vão se alterar novamente."
Quais
são as oportunidades agora?
Hoje,
apesar de todos os pontos negativos advindos não apenas na economia mas
da emergência sanitária e humanitária causadas pelo novo coronavírus, as
oportunidades ligadas à pandemia e ao isolamento social já estão surgindo:
" Com o distanciamento social, enquanto muitas pessoas ainda estiverem
trabalhando de suas casas, consequentemente também deve haver queda de preços e
transações. Ainda neste nicho, devemos observar primeiramente a queda nos
preços de aluguel, seguidas pela depreciação dos preços de compra e venda, já
que a aluguéis mais baratos, os imóveis comerciais também se tornam menos
atrativos enquanto investimentos. Já para o segmento residencial, que também
sofrerá impactos negativos, a queda no volume de transações e preços deve
ser menos acentuada, porque a necessidade básica de moradia sustenta mais
firmemente a demanda residencial, em especial no mercado de locação. Neste
aspecto, pode surgir um primeiro tipo de oportunidade: para fins de
investimento (compra de um imóvel para fins de rendimentos do aluguel), imóveis
residenciais devem se tornar relativamente mais atrativos do que os comerciais
durante o período de crise, caso a expectativa de menor queda dos preços de
aluguel residencial se confirmem. Se na crise atual os preços no mercado
de aluguel residencial se mostrarem de fato mais resilientes do que os preços
de outros ativos (imobiliários e financeiros), certamente haverá espaço para
mais investimentos nestes novos fundos e tipos de imóveis, a retornos
relativamente mais altos do que em investimentos alternativos."
Oportunidades
pós covid-19
As
oportunidades não serão limitadas apenas a preços, oferta e demanda. Há uma
espécie de consenso entre especialistas que o distanciamento social deve
mudar as relações de consumo da sociedade, não apenas causando uma
diminuição relativa no volume de transações presenciais durante a crise, mas
também permanentemente, devido aos traumas que o quadro atual de contaminação
deve deixar.
Deste
modo também, a maneira como imóveis serão transacionados dificilmente será
igual a como era feito antes da pandemia: "E já existem tecnologias a
serem aproveitadas como aplicativos e ferramentas de avaliação online, visita
virtual, showrooms, registros imobiliários virtuais, dentre outras. Observar
tais tecnologias mais disseminadas e funcionando no mundo desenvolvido também
traz uma perspectiva otimista para o mercado imobiliário brasileiro. Esgotar
cada uma das possibilidades que a crise vai trazer, neste momento, é
praticamente impossível. Muitas delas ainda devem surgir durante o decorrer da
pandemia e seus reflexos. Outras não são tão fáceis de se enxergar
agora. Por isso é preciso estar atento, informado, ter coragem e visão
clara para não as desperdiçar. E algum otimismo, em meio ao caos", conclui
o especialista.
Fonte: MF Press Global

Nenhum comentário:
Postar um comentário