Isolamento social em razão da pandemia criou novas oportunidades para o mercado imobiliário da região. Clima bucólico e charmoso, ar puro e muita área verde trouxeram para cá os que estavam em busca de melhor qualidade de vida. Conversamos com especialistas sobre as tendências do setor, que vão das adequações ao novo cenário e incentivos fiscais à mudança do novo perfil do consumidor e sua relação com o imóvel.
Por: Redação
Conforme já
sinalizamos em novembro, o mercado
imobiliário estava voltando a crescer e as expectativas para
2020 eram as melhores. Especialistas reforçavam alta de 3%, destacando o setor
como um dos motores da economia para este ano. No entanto, ainda no primeiro
trimestre, essa confiança deu lugar a cautela, quando a Organização
Mundial da Saúde declarou a pandemia. “Mas depois de uma retraída,
as pessoas começaram a enxergar oportunidades”, lembra Felipe Diego Araújo dos
Santos, gestor da Four Hunters
Consultoria Imobiliária.
O mercado
imobiliário foi impactado pela pandemia, sim! Mas positivamente. Entre as
mudanças mais significativas, houve um processo reverso ao que vinha sendo
observado no passado pelo setor. “Antes da pandemia, a maioria buscava
praticidade, funcionalidade e baixo custo de manutenção, o que significava
imóveis residenciais mais compactos. Com mais tempo em casa e menos no local de
trabalho e o chamado home office, a casa tem que virar um lar, não
apenas dormitório, com necessidades específicas, mais confortáveis e melhor
equipados”, conta Luiza Fernandes, diretora comercial da Granja Negócios Imobiliários.
Se antes a tendência era a diminuição de espaços e de vivência em espaços compartilhados, a pandemia trouxe o oposto: espaços maiores e mais confortáveis. Com isso, aqueles que almejavam um estilo de vida mais calmo em uma casa mais espaçosa e que já tinham planos de se mudar no futuro, encaixotaram suas coisas e fizeram as malas. De acordo com dados do portal Imovelweb, a busca por imóveis fora das capitais subiu 52% entre fevereiro e março neste ano. Quando comparados os meses de março de 2020 e março de 2019, a busca aumentou 124%.
Se antes a tendência era a diminuição de espaços e de vivência em espaços compartilhados, a pandemia trouxe o oposto: espaços maiores e mais confortáveis. Com isso, aqueles que almejavam um estilo de vida mais calmo em uma casa mais espaçosa e que já tinham planos de se mudar no futuro, encaixotaram suas coisas e fizeram as malas. De acordo com dados do portal Imovelweb, a busca por imóveis fora das capitais subiu 52% entre fevereiro e março neste ano. Quando comparados os meses de março de 2020 e março de 2019, a busca aumentou 124%.
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| Amanhecer no Terras de São Fernando,em clique do leitor Adriano Pina |
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Ilustres vizinhos fotografados por Daniele Piovesan
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Também é um
período de redescoberta do bairro. “Tem aqueles que já conheciam a Granja,
moraram no passado e estão buscando retorno para cá. Outros que tem amigos aqui
e que, por conta disso, acabaram se apaixonando pela região, pensavam em no
futuro se mudar e anteciparam este projeto. O perfil é variado, mas todos estão
impulsionados por mais espaço e qualidade de vida”, comenta Gilson Tangerino,
sócio-diretor da One
Consultoria Imobiliária.
“As pessoas
estão reconhecendo mesmo o que é qualidade de vida: morar em casa com quintal,
piscina, jardim. Com certeza, estão menos estressadas do que quem está preso
nos apartamentos em São Paulo”, justifica Helio Alterman, diretor da Proinvest. Ele aposta que esta não é uma
tendência temporária: mesmo após a pandemia, o mercado volta a crescer ainda
mais. Felipe concorda: “há várias oportunidades de mercado, principalmente para
a Granja, nos próximos 24 meses”. “Esse movimento de gente querendo vir para cá
vai se manter por um bom tempo”, também crê Gastão.
Bem-estar familiar
A relação com a casa também mudou. “As pessoas estão enxergando os imóveis mais como qualidade de vida do que negócio. Elas investem em outra moeda: a da satisfação pessoal, cuja mensuração é diferente do dinheiro. Se não fosse assim, por que as pessoas sairiam de um metro quadrado mais valorizado para outro menos valorizado? Não é para sobrar dinheiro, mas ter a famosa qualidade de vida. Com essa pandemia, percebemos o quão frágeis somos”, descreve Ricardo Silva, proprietário da Portal Raposo Imóveis. “O novo consumidor busca um conforto maior em seu lar para obter resultados satisfatórios em home office e harmonia total entre sua família. Sendo assim, a busca de imóveis com quartos reversíveis, escritórios, sala com dois ambientes e integração com área gourmet tem crescido muito”, comenta Maurício Azer, gerente comercial da RE/MAX CasaInveste.
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“O home office mais lindo do
mundo❤️Ahhh…
será que vou querer
voltar pro escritório? 🤔”, postou a jornalista Fran
Oliveira nas redes
sociais. Além da qualidade de vida, o multicentrismo
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A Granja Viana não é a mesma de outrora.
Grandes centros comerciais e industriais
chegaram junto com o progresso. Como contraponto, temos uma rodovia cujo
trânsito já é conhecido pela maioria. Mas com as novas configurações de
trabalho e moradia, isto não é mais visto como entrave. “O consumidor é
conhecedor das deficiências de mobilidade da Raposo Tavares, porém também
reconhece na nossa região, o que os urbanistas chamam de multicentrismo, ou
seja, uma região que oferece tudo o que São Paulo oferece. E, principalmente,
esse novo consumidor sabe que as relações de trabalho mudaram para sempre e
reuniões digitais, trabalho em horários diferenciados e outras novas relações
vieram para ficar”, comenta Caio Portugal, diretor da GP Desenvolvimento Urbano, que teve os
melhores meses de vendas em maio e junho dos últimos anos.
O novo consumidor
Objetivo,
assim é o novo consumidor. Com quatro décadas de experiência na área, Marco
Antônio Garbuglio – sócio-diretor da G3i
Imobiliária – disse que o cliente de agora “já sabe o que quer
e não perde muito tempo”. Trocando em miúdos, há pouca ou quase nenhuma
especulação, mas muita objetividade. “A dificuldade em ficar confinadas em suas
casas fez com que as pessoas percebessem que elas precisam de uma casa maior e
pronto, não ficam questionando valores”, completa.
Claro que o
preço ainda conta. “Os imóveis na Granja Viana são baratos, muito mais do que
em São Paulo. Por exemplo, um apartamento de 100m² na Pompeia vale o mesmo que
uma casa sensacional aqui. É uma oportunidade. Mesmo com menos dinheiro, o
consumidor pode até elevar o padrão de vida dele, morando em um espaço legal
aqui do que em São Paulo”, explica Gastão.

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Natureza
adorável e bela da região,
segundo o morador
Arivonaldo Bezerra da Silva
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Bola da vez: compra, venda ou locação?
A maioria
dos entrevistados respondeu: locação. Muitas imobiliárias viram, durante este
período, seu estoque de locação praticamente zerar. “Aluguel sempre foi a coisa
mais aquecida no mercado da Granja, porque muitos vêm com receio e querem
sentir o local”, explica Gastão. Ele foi um deles: há mais de uma década, ele
chegou na Granja. Mas optou, primeiro, pelo aluguel, antes da compra
definitiva. Foi, como ele mesmo define, um test-drive.
Angelo
Maglio, proprietário da Rancholar
Imóveis, corrobora sua fala: “devido ao urgente-urgentíssimo
causados pela pandemia, os que estão com os pés no chão, optam em sua maioria
pela locação afim de verificarem se se acostumam no local escolhido”. E Lucio
Ventura, da Ventura
Negócios Imobiliários, completa: “as pessoas estão percebendo que um
investimento muito alto em um imóvel não é certeza de estabilidade, em um
futuro tão incerto”.
Na Mix Prime Imóveis, a
demanda se dividiu em compra de terreno “para construção”, de acordo com o
sócio-proprietário Luís Felipe Carvajal, e em locação. Esta última modalidade,
por exemplo, cresceu 200%. “Pessoas de São Paulo passaram a vir para cá pela
qualidade de vida, mas sobretudo, pelo preço. Um apartamento em Pinheiros de
120m² custa uns R$ 7 mil de aluguel, enquanto aqui é o valor de uma casa com
piscina, quintal para criança brincar e espaço para fazer horta”, explica. Ele
menciona também a procura por villagios, tão comuns em nossa região e que são
mais espaçosos, aconchegantes e mais baratos que um apartamento.
Já na Casa Noble Negócios Imobiliários, o
cenário foi inverso. “De janeiro a março, 47% dos contatos que recebemos
procuravam por compra e 53% procuravam por locação. Nos últimos dois meses,
esse cenário inverteu: 58% dos nossos contatos são com intenção de compra e 42%
com intenção de locação”, numera Camila Bezerra, diretora de marketing. “Com a
possibilidade de home office virar um modelo de trabalho
permanente para muitas empresas, temos recebido muitos clientes que moram na
agitação de São Paulo e que, com essa possibilidade de trabalhar de casa,
procuram por uma casa maior em uma região mais tranquila como a nossa, em busca
de melhor qualidade de vida”, opina.
“As taxas de
financiamento nunca estiveram tão baixas. Nunca foi tão fácil financiar”,
pontua Hélio Alterman. Sim, o especialista tem razão: em agosto de 2019, a
Caixa Econômica Federal anunciou a criação de linha de financiamento
imobiliário com saldo corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA). Seis meses depois, lançou uma linha de crédito de financiamento
imobiliário com juros prefixados, que variam entre 8% e 9,75% ao ano. Nessa
modalidade, não há correção nem da taxa referencial ou IPCA (inflação) e pode
ser usado em até 80% do financiamento do imóvel.
“Quem tomar
o empréstimo poderá escolher entre sistemas de amortização SAC, para contratos
de até 360 meses, e PRICE, até 240 meses”, explica. “Outro fator é a taxa Selic
em 3% ao ano, podendo cair para 2,5%, nova mínima histórica”, completa sua
colega de profissão, Luiza Fernandes.
E no meio da
pandemia, a Caixa ainda anunciou uma injeção adicional de R$ 43 bilhões para o
setor imobiliário. Desta vez, o dinheiro será usado em linhas que visam a
irrigar o caixa de construtoras, evitando paralisações de obras e demissões. Outra
meta é facilitar a vida do cliente que está prestes a comprar um novo imóvel,
com a oferta de carência de até 180 dias para início do pagamento.
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Reserva do Morro Grande (Foto:
Secom/Cotia)
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Oportunidades pós-pandemia
As
oportunidades não serão limitadas apenas a preços, oferta e demanda. Há
consenso entre especialistas que haverá mudanças nas relações de consumo e a
maneira como os imóveis serão transacionados também. Aliás, já há. Aplicativos
e ferramentas de avaliação online, visita virtual, showrooms e registros
imobiliários virtuais já existem e, agora, seu uso vem sendo ainda mais ampliado.
“Temos um
contrato digital, onde a pessoa não precisa estar na imobiliária para assinar.
O corretor faz todas as vistorias e as partes recebem onde elas estiverem o
relatório, tanto fotográfico quanto escrito. Para pagamentos, já temos o boleto
bancário”, explica Daniela Brito, diretora da Imobiliária Porta Nova. Ou
seja, contratos fechados de modo virtual já são realidade.
Quem ainda
não se adequou, precisa se adaptar à nova realidade. Na Granja Negócios
Imobiliários, por exemplo, o tour virtual foi uma ferramenta bastante usada
pela equipe neste momento de isolamento social, em que as visitas presenciais
se tornam cada vez mais raras. “É fundamental estar conectado aos possíveis
clientes, usar a tecnologia e redes sociais para mostrar as novidades, os
diferenciais de cada imóvel, as tendências do mercado e oferecer prestação de
serviço. Outra facilidade que pode manter os negócios em movimento envolve as
soluções digitais. Anúncios de qualidade, fotos, sistemas digitalizados dentro
das imobiliárias e acessíveis na palma da mão dos corretores dão agilidade aos
trabalhos e facilitam a vida dos clientes”, explica Luiza Fernandes.
Por: Juliana Martins Machado | Fonte: Revista Circuito










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